domingo, 15 de janeiro de 2017

O SÉTIMO SELO, O FIM DO JULGAMENTO DOS VIVOS-OS ÚLTIMOS SALVOS


O sétimo e último selo a ser aberto, é o que finaliza o Juízo e representa o último grupo dos que forem selados para a eterna salvação. Ele trata de um período curtíssimo e de grande ansiedade no Céu, provocada pela perspectiva de salvação ou perdição de um grande número de pessoas em todo o mundo, que ainda estão indecisas e que provocam intensa comoção no Céu. O prazo se esgotou e não pode ser prorrogado por mais tempo. Esta ansiedade é que provocará o silêncio de quase meia hora entre os que habitam no Céu e participam do julgamento.

Apocalipse 8:1-6 - Textos que tratam da abertura do sétimo selo:



1. Quando o Cordeiro abriu o sétimo selo, houve silêncio no Céu por cerca de meia hora.

2. Vi então os sete anjos que estavam em pé diante de Deus, e foram-lhes dadas sete trombetas.

3. Veio outro anjo, e pôs-se junto ao altar, com um incensário de ouro. Foi-lhe dado muito incenso para oferecer com as orações de todos os santos, sobre o altar de ouro que está diante do trono.

4. E a fumaça do incenso subiu com as orações dos santos desde a mão do Anjo até diante de Deus.

5. Então o Anjo tomou o incensário, encheu-o do fogo do altar, e o lançou sobre a Terra; e houve trovões, vozes, relâmpagos e um terremoto.

6. E os sete anjos, que tinham as sete trombetas, prepararam-se para tocá-las.



Cada um dos seis versículos relacionados a este selo deve ser detidamente analisado para a sua compreensão, pelo fato de que tradicionalmente apenas o primeiro versículo tem sido destacado na interpretação usual, trazendo um equivocado entendimento de que o silêncio de meia hora no céu se refere à vinda de Jesus à Terra, com todos os Seus anjos, para consumar a promessa do Evangelho Eterno.



Segundo esse entendimento o Céu ficaria em silêncio porque todos os seus habitantes iriam acompanhar Jesus na Sua volta à Terra, ficando assim vazio e completamente silencioso.



A análise de todo o texto revela ser improvável e mesmo impossível acontecer esse evento, nessa ocasião, em coerência com os ensinamentos da Bíblia e do Espírito de Profecia. São vários detalhes importantes que não podem ser ignorados. Ao estudá-los fica claro que durante o período descrito em todos os versos do texto Jesus continua intercedendo pela humanidade, apresentando as orações dos homens sobre o altar de ouro que está diante do trono de Deus.



As orações dos homens e a intercessão de Jesus são evidências de que ainda existe esperança, graça e salvação naquele momento e que o julgamento, ou o selamento do povo de Deus ainda continua no Santuário do Céu.



Afinal, trata-se da última fase do juízo. E todo o contexto da revelação afirma que antes da volta de Jesus haverá outros acontecimentos que precederão este evento, como o encerramento da graça e o derramamento das sete últimas pragas.



Ademais, haverá depois de tudo isso, ainda, uma grande tribulação – um tempo de angústia, qual nunca houve desde que houve nação até àquele tempo, e que isto somente acontecerá depois que Miguel – Jesus, o Anjo do Concerto – se levantar do Santuário e lançar o incensário sobre a Terra. 



Então o que significa esse “silêncio no Céu” antes desses acontecimentos? Antes de responder a esta pergunta vamos tecer algumas considerações muito pertinentes e importantes.
O QUE É O CÉU?

A maior parte das pessoas e das religiões, em todo o mundo, acredita que o lugar comumente chamado de “Céu” ou “Paraíso” é um lugar “espiritual”, imaterial e intangível, para onde vão as “almas” ou “espíritos” dos justos logo após a morte e onde habitam os anjos, seres também intangíveis, invisíveis e imateriais.

Este entendimento equivocado é provocado pela superstição generalizada e pelos mitos e enganos herdados do paganismo, como a imortalidade da alma e a existência de um tipo de vida independente do corpo material, que não têm origem ou fundamento nas Escrituras.

Tudo no Universo é real e material. Não existe nada que seja espiritual, abstrato ou virtual, no sentido que é dado a este termo pela filosofia grega pagã, dela herdada pelo cristianismo católico e adotada por protestantes e espíritas.  

A Bíblia Sagrada afirma de forma clara e decidida que o sublime trono de Deus está situado num palácio magnífico e indescritivelmente belo. Ele tem sido chamado muitas vezes de “Santuário”, porque é santificado pela presença de Deus e fica numa cidade que é descrita na Bíblia Sagrada com muitos detalhes interessantes.

Esta cidade é de uma beleza tão deslumbrante que, não tendo outras palavras para descrevê-la, o profeta diz que as suas ruas são de ouro transparente, semelhante a vidro puro; ela tem um formato quadrado, e cada lado mede cerca de 550 quilômetros; possui doze fundamentos e cada um é adornado com uma pedra preciosa; e os seus muros são de jaspe e medem cerca de 80 metros de altura (Apocalipse 21:9-21).

Nela existem elementos físicos, químicos e orgânicos, como pedras, metais, árvores e água, que nós chamamos de matéria.

A sua área é de algo em torno de 355.000 Km2, o que equivale à soma das áreas dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, ou o mesmo que a área da Alemanha. Esta área se refere apenas à cidade que a Bíblia descreve como sendo a Capital de onde Deus governa todo o Universo. E o que se dirá do restante do planeta onde ela está situada?

A capital de um grande país é sempre uma cidade cosmopolita, onde estão situadas embaixadas e representações de todas as nações amigas com quem ele mantenha relações políticas, comerciais ou de qualquer natureza, e onde moram, além dos seus habitantes naturais, visitantes de toda parte do mundo.

Seria diferente na Capital do Universo? E os visitantes individuais, as famílias e grupos de “turistas cósmicos” que ocasionalmente queiram visitar o Seu Rei, o supremo governante do Universo e, mais do que isso, o seu Pai, a quem amam acima de todas as coisas e desejem prestar-Lhe sua adoração pessoal?

Deve-se também considerar as construções e edifícios desta gigantesca metrópole cósmica. Eles devem servir para algo mais do que o simples adorno. Certamente devem abrigar a administração dos assuntos do governo do Universo e seus habitantes e visitantes.

Sim, porque é razoável imaginar-se, pelas informações do Livro de Deus, que ao atentarmos para o que deve acontecer no dia-a-dia desse lugar podemos supor que ele tem uma rotina que deve existir em qualquer mundo real. E o Céu é um planeta real, físico, temporal e ocupa um lugar no espaço sideral.

Os anjos são seres que têm a capacidade de se deslocar na velocidade do pensamento. Isto indica que eles podem, talvez, eliminar o tempo ou o espaço físico. Eles não se revelam física e visivelmente, o que indica a sua capacidade de se desmaterializar, podendo atravessar obstáculos materiais, como paredes. Eles têm a capacidade de se manter invisíveis, quando quiserem.

Não se pode imaginar o estágio de conhecimento e capacitação que dominam, e o poder que têm, os quais lhes permitem fazer o que fazem, conforme os diversos relatos bíblicos, relativos a eles.

O homem tem avançado bastante no conhecimento tecnológico e na cibernética. Dá os seus primeiros passos na nanociência e na nanotecnologia, no conhecimento das partículas subatômicas, como os neutrinos, iniciando pesquisas que visam descobertas que lhe proporcionem, por exemplo, desenvolver um sistema de invisibilidade. Apesar de rudimentares já existem resultados que estimulam as pesquisas nessa área do conhecimento.

Os seres celestiais, aos milhões ou bilhões, certamente dominam uma tecnologia que hoje não podemos sequer imaginar.

Somente dentro do Palácio Celestial foram vistas por João e Daniel (Apocalipse 5:11; Daniel 7:10) na abertura do Juízo, “milhares de milhares e milhões de milhões” de visitantes e testemunhas, entre anjos e representantes de todos os mundos que compõem o vasto reino de Deus, em todo o Universo. É razoável supor que existe no Céu uma população fixa, dos seus moradores e uma flutuante, dos que o visitam.

Todas estas considerações foram feitas para a análise do texto inicial de que “houve silêncio no céu por quase meia hora” (8:1).

Não existe fundamento bíblico para supor-se que o Céu ficará silencioso por um período de uma semana, que seria a contagem da “meia-hora”, valendo-se do princípio de interpretação “dia-ano” outras vezes utilizado no estudo de profecias bíblicas (Números 14:34; Ezequiel 4:6-7). Este princípio não deve ser mais aplicado nas profecias que envolvem períodos de tempo, depois de 1844.

E não parece lógico e nem razoável imaginar-se que toda a população celestial viria acompanhar Jesus no maior acontecimento da história universal, que é o Seu retorno à Terra, deixando o Céu vazio.

É mais compreensível supor-se que assim como “milhões de milhões” virão com Ele nesse evento, em Sua comitiva, outros “milhões de milhões” permanecerão na Capital do Universo, aguardando a chegado de Jesus com os  seus filhos resgatados da Terra e preparando a sua gloriosa recepção, quando todos serão apresentados ao seu Pai Celestial.

Aliás, esse tipo de recepção já aconteceu antes, quando Jesus retornou ao Céu depois de Sua ressurreição, acompanhado de uma pequena multidão de ressuscitados. Eles subiram ao Céu como as “primícias”, ou os primeiros frutos da missão vitoriosa de Jesus. (Mateus 27:50-53; I Coríntios 15:20 e 23). Estas primícias representavam a primeira parte da grande colheita final, que será a grande multidão de ressuscitados que Ele virá buscar em breve, no Seu breve retorno à Terra.

Eis uma tocante descrição desse evento, feito por uma escritora inspirada:

“Todo o Céu estava esperando para saudar o Salvador à Sua chegada às cortes celestiais. Ao ascender, abriu Ele o caminho, e a multidão de cativos libertos à Sua ressurreição O seguiu. A hoste celestial, com brados de alegria e aclamações de louvor e cântico celestial, tomava parte na jubilosa comitiva...” (Ellen G. White , O Desejado de Todas as Nações, pag. 833-834).

Se o “silêncio no Céu por quase meia hora” não pode ser a volta de Jesus, como alguns têm acreditado, pelas razões já expostas, então o que significa esse silêncio e esse tempo mencionado na abertura do sétimo selo?

SILÊNCIO NO CÉU POR QUASE MEIA HORA:

Primeiramente devemos considerar se já houve alguma coisa antes, que possa ter provocado algo semelhante a isso, no Céu. Na realidade isso parece já ter acontecido, conforme o relato a seguir.

Na noite em que Jesus foi preso o mundo celestial ficou apreensivo com os acontecimentos que precederam a sua prisão. Ao ser defrontado com as trevas da separação do Pai e sentindo o peso do pecado de todo o mundo Jesus quase sucumbiu e por três vezes recuou do Seu propósito, até finalmente decidir-se a enfrentar fossem quais fossem as consequências do Seu ato.

O texto seguinte é esclarecedor e mostra que já houve, sim, um momento em que houve silêncio no Céu. O momento de hesitação de Jesus no Jardim do Getsêmani, na Sua inimaginável dor provocada por ter sido não apenas contado como um pecador, mas  de ter substituído a culpa de toda a humanidade e sido feito pecado em lugar de todas as pessoas que viera salvar. Eis o interessante relato:

“Trêmulas caem as palavras dos pálidos lábios de Jesus: ‘Pai Meu, se este cálice não pode passar de Mim sem Eu o beber, faça-se a Tua vontade. Mat. 26:42.’”
“Três vezes proferiu essa oração. Três vezes recuou Sua humanidade do derradeiro, supremo sacrifício. Surge, porém, então, a história da raça humana diante do Redentor do mundo. Vê que os transgressores da lei, se deixados a si mesmos, têm de perecer. Vê o desamparo do homem. Vê o poder do pecado. As misérias e os ais do mundo condenado erguem-se ante Ele. Contempla-lhe a sorte iminente, e decide-Se. Salvará o homem custe o que custar de Sua parte. Aceita Seu batismo de sangue, para que, por meio dEle, milhões de almas a perecer obtenham a vida eterna. Deixou as cortes celestiais, onde tudo é pureza, felicidade e glória para salvar a única ovelha perdida, o único mundo caído pela transgressão. E não Se desviará de Sua missão. Tornar-Se-á a propiciação de uma raça que quis pecar. Sua prece agora respira apenas submissão: ‘Se este cálice não pode passar de Mim sem Eu o beber, faça-se a Tua vontade. Mat. 26:42.’”
“Havendo tomado a decisão, cai moribundo no solo do qual Se erguera parcialmente. Onde se achavam então os discípulos, para pôr ternamente as mãos sob a cabeça do desfalecido Mestre, e banhar aquela fronte, na verdade mais desfigurada que a dos outros filhos dos homens? O Salvador pisou sozinho o lagar, e do povo nenhum com Ele havia”. 
“Mas Deus sofria com Seu Filho. Anjos contemplavam a agonia do Salvador. Viam seu Senhor circundado de legiões das forças satânicas, Sua natureza vergada ao peso de misterioso pavor que todo O fazia tremer. Houve silêncio no Céu. Nenhuma harpa soava. Pudessem os mortais ter testemunhado o assombro das hostes angélicas quando, em silenciosa dor, observavam o Pai retirando de Seu bem-amado Filho os raios de luz, amor e glória, e melhor compreenderiam quão ofensivo é aos Seus olhos o pecado”. 
“Os mundos não caídos e os anjos celestiais vigiavam com intenso interesse o conflito que se aproximava do desfecho. Satanás e suas hostes do mal, as legiões da apostasia, seguiam muito atentamente essa grande crise na obra da redenção. Os poderes do bem e do mal aguardavam para ver qual a resposta que seria dada à oração de Cristo - três vezes repetida. Os anjos anelavam trazer alívio ao divino Sofredor, mas isso não podia ser. Nenhum meio de escape havia para o Filho de Deus. Nessa horrível crise, quando tudo estava em jogo, quando o misterioso cálice tremia nas mãos do Sofredor, abriu-se o Céu, surgiu uma luz por entre a tempestuosa treva da hora da crise, e o poderoso anjo que se acha na presença de Deus, ocupando a posição da qual Satanás caíra, veio para junto de Cristo. O anjo não veio para tomar-Lhe o cálice das mãos, mas para fortalecê-Lo a fim de que o bebesse, com a certeza do amor do Pai. Veio para dar força ao divino-humano Suplicante. Ele Lhe apontou os Céus abertos, falando-Lhe das almas que seriam salvas em resultado de Seus sofrimentos. Afirmou-Lhe que Seu Pai é maior e mais poderoso que Satanás, que Sua morte redundaria na inteira derrota do mesmo, e que o reino deste mundo seria dado aos santos do Altíssimo. Disse-Lhe que Ele veria o trabalho de Sua alma, e ficaria satisfeito, pois contemplaria uma multidão de membros da família humana salvos, eternamente salvos”. 
“A agonia de Cristo não cessou, mas Sua depressão e desânimo O deixaram. A tempestade não amainou de maneira alguma, mas Aquele que dela era objeto estava fortalecido para lhe enfrentar a fúria. Saiu calmo e sereno. Uma paz celestial pairava-Lhe no rosto manchado de sangue. Suportara aquilo que criatura alguma humana jamais poderia sofrer; pois provara os sofrimentos da morte por todos os homens” (O Desejado de Todas as Nações, Ellen G. White, pag. 690-694).
O silêncio no Céu referido no Apocalipse é provocado por um sentimento semelhante ao que foi causado pelo sofrimento de Jesus. Ele acontecerá pela terrível comoção provocada pelo iminente encerramento do Juízo, quando ainda haverá um grande número de pessoas para serem seladas na última oportunidade de salvação. Ainda estão no vale da decisão.
Esse grupo de pessoas representa os últimos que foram chamados, na parábola que Jesus contou sobre os trabalhadores na vinha (Mateus 20:1-16). Na última hora, a undécima, no último momento, foram assalariados com o mesmo preço – a eterna salvação, o preço do Seu sangue, que todos os outros trabalhadores receberam.
A última intercessão de Jesus alcançou os últimos que faltavam para ser contados entre os salvos. Quando estes forem selados, o julgamento chegará ao fim e estará encerrada qualquer oportunidade de salvação. Estes são o objeto da última intercessão de Jesus, quando “muito incenso foi colocado com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro que está diante do trono.”
  

SETE ANJOS E SETE TROMBETAS



 João viu, após a abertura do último selo, sete anjos que estavam diante de Deus. Somente depois de todos os acontecimentos revelados nesse texto é que eles se prepararam para tocar as suas trombetas, não antes. É muito importante insistir no fato de que eles apenas receberam as trombetas e ficaram aguardando os acontecimentos seguintes. Somente depois que finalizou o juízo e terminou toda a oportunidade de salvação é que as trombetas foram tocadas. Isto ficará claro na sequência do estudo.



O OUTRO ANJO



Este anjo é Jesus, o Sumo-sacerdote que ministra no Santuário Celestial, junto ao altar de ouro que está diante do trono de Deus. Somente o sumo-sacerdote podia entrar no compartimento que representava este lugar onde Jesus agora Se encontra, somente uma vez ao ano, no soleníssimo dia da expiação, que simbolizava o juízo, que agora está sendo realizado, no Céu.



Somente o sumo-sacerdote ministrava, também, com o incensário de ouro e somente naquela ocasião e naquele local, que era chamado o Santo dos santos, ou o lugar Santíssimo (Hebreus 9:3-4). É clara a relação que é mostrada entre o evento que agora é realizado diante de Deus e o que era a sua sombra ou o seu símbolo, no antigo cerimonial judaico.



O outro anjo que João viu é, sem nenhuma dúvida, Jesus. Como Ele poderia vir à Terra finalizar a Sua obra, se depois que houve o silêncio de meia-hora no céu é que Ele foi visto continuando, ou finalizando, a Sua obra expiatória? 



O INCENSÁRIO DE OURO



O incensário de ouro era um dos utensílios exclusivos de uso do sumo-sacerdote. Existiam outros objetos que só ele podia usar, como as vestes que não deveriam ser rasgadas, a mitra e o peitoral do juízo que, para lembrança, ficava sobre o seu coração, com os nomes dos filhos de Israel. Tudo tinha sua significação que teria cumprimento e aplicação no futuro, relacionado com a obra de Jesus.



O incensário era simbólico das orações do povo. O incenso aromático, cujo perfume subia diante da arca do concerto onde ficavam as tábuas com os mandamentos da Sua sagrada lei, era símbolo da fragrância que é para Deus a oração de Seus filhos.



Quando se abriram os livros e começou o juízo João viu que cada um dos vinte e quatro anciãos que participavam do julgamento tinham em suas mãos “salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos” (Apocalipse 5:8).



Agora, em sua última etapa e ao terminar o julgamento, ele volta ao assunto, afirmando que fora dado a Jesus “muito incenso, para o por com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro, que está diante do trono” (V. 3). Por que “muito incenso”? Certamente era porque representava a última intercessão, o último pedido, e a última intermediação entre Jesus, nosso Sumo-Sacerdote, e o Pai Celestial, para a conversão dos últimos que ainda seriam selados. Ele sabia, e todo o Céu sabia que ainda faltavam pessoas para serem salvas e o tempo estava no fim.



LANÇOU O INCENSÁRIO



“Foi-me indicado o tempo em que a mensagem do terceiro anjo estava a finalizar-se... A última grande advertência tinha soado por toda parte e havia instigado e enraivecido os habitantes da terra que não quiseram receber a mensagem... Vi anjos indo aceleradamente de um lado para o outro no Céu. Um anjo com um tinteiro de escrivão ao lado voltou da Terra, e referiu a Jesus que sua obra estava feita, e os santos estavam numerados e selados. Então vi Jesus, que havia estado a ministrar diante da arca, a qual contém os Dez Mandamentos, lançar o incensário. Ele levantou as mãos e com grande voz disse: ‘Está feito’. E toda a hoste angélica tirou suas coroas quando JESUS fez a solene declaração: ‘Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se’. Apoc. 22:11”. (Ellen G. White - Primeiros Escritos, pag. 279 e 280, destaques acrescentados).


“Os justos e os ímpios estarão ainda a viver sobre a Terra em seu estado mortal: estarão os homens a plantar e a construir, comendo e bebendo, todos inconscientes de que a decisão final, irrevogável, foi pronunciada no santuário celestial. Antes do dilúvio, depois que Noé entrou na arca, Deus o encerrou ali, e excluiu os ímpios; mas, durante sete dias, o povo, não sabendo que seu destino se achava determinado, continuou em sua vida de descuido e de amor aos prazeres, zombando das advertências sobre o juízo iminente. "Assim", diz o Salvador, "será também a vinda do Filho do homem." Mat. 24:39. Silenciosamente, despercebida como o ladrão à meia-noite, virá a hora decisiva que determina o destino de cada homem, sendo retraída para sempre a oferta de misericórdia ao homem culpado” (Ellen G. White, O Grande Conflito, pag. 491).

O FIM DO JULGAMENTO E DA GRAÇA



"Naquele tempo Se levantará Miguel, o grande príncipe, que Se levanta pelos filhos do teu povo, e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até aquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que se achar escrito no livro. Dan. 12:1.” 

“Quando se encerrar a mensagem do terceiro anjo, a misericórdia não mais pleiteará em favor dos culpados habitantes da Terra. O povo de Deus terá cumprido a sua obra. Recebeu a "chuva serôdia", o "refrigério pela presença do Senhor", e acha-se preparado para a hora probante que diante dele está. No Céu, anjos apressam-se de um lado para o outro. Um anjo que volta da Terra anuncia que a sua obra está feita; o mundo foi submetido à prova final, e todos os que se mostraram fiéis aos preceitos divinos receberam ‘o selo do Deus vivo’. Cessa então Jesus de interceder no santuário celestial. Levanta as mãos e com grande voz diz: Está feito; e toda a hoste angélica depõe suas coroas, ao fazer Ele o solene aviso. ‘Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda.’ Apoc. 22:11. Todos os casos foram decididos para vida ou para morte. Cristo fez expiação por Seu povo, e apagou os seus pecados. O número de Seus súditos completou-se; ‘e o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu’, estão prestes a ser entregues aos herdeiros da salvação, e Jesus deve reinar como Rei dos reis e Senhor dos senhores” (O Grande Conflito, Ellen G. White, pag. 613-614).



 PREPARARAM-SE PARA TOCÁ-LAS



Até esse momento, enquanto o juízo estava em andamento, as trombetas não foram tocadas. Elas somente serão tocadas após o fim do juízo, quando todos estiverem selados ou julgados, para a vida ou para a morte.  Os anjos prepararam-se para tocá-las apenas depois que o Anjo lançou o incensário sobre a terra, é o que o texto profético afirma claramente.



“Deixando Ele o santuário, as trevas cobrem os habitantes da Terra. Naquele tempo terrível os justos devem viver à vista de um Deus santo, sem intercessor. Removeu-se a restrição que estivera sobre os ímpios, e Satanás tem domínio completo sobre os que finalmente se encontram impenitentes. Terminou a longanimidade de Deus: O mundo rejeitou a Sua misericórdia, desprezou-Lhe o amor, pisando Sua lei. Os ímpios passaram os limites de seu tempo de graça; o Espírito de Deus, persistentemente resistido, foi, por fim, retirado. Desabrigados da graça divina, não têm proteção contra o maligno. Satanás mergulhará então os habitantes da Terra em uma grande angústia final. Ao cessarem os anjos de Deus de conter os ventos impetuosos das paixões humanas, ficarão às soltas todos os elementos de contenda. O mundo inteiro se envolverá em ruína mais terrível do que a que sobreveio a Jerusalém na antiguidade” (Ellen G. White, O Grande Conflito, pag. 614).



Somente agora, então, depois que Jesus lança o incensário Ele deixa o Santuário - e só então, na sequência dos acontecimentos revelados no Livro Sagrado, é que os sete anjos prepararam-se para tocar as suas trombetas. Isto significa que elas não se referem a eventos do passado, como muitos têm acreditado, mas aos últimos acontecimentos da História da humanidade.Então as pragas e castigos prefigurados no impressivo símbolo das trombetas caem como juízos em eventos terríveis sobre a Terra impenitente e seus culpados habitantes.
É no contexto do brevíssimo tempo deste sétimo selo que se cumprem as últimas e benditas promessas das Sagradas Escrituras e do Espírito de Profecia, contemplando a salvação dos filhos daqueles que por longo tempo têm apresentado os seus filhos queridos diante do Tribunal de Jesus e mostrando "quando" isso acontecerá:
"Eis que vos envio o profeta Elias, antes que venha o dia grande e terrível do Senhor (o fechamento da graça); e converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; antes que eu venha e fira a Terra com maldição" (Malaquias 4:5-6).
"O último trabalho intercessor de Cristo antes que ponha de lado seus vestidos de sacerdote, é apresentar as orações dos pais por seus filhos. E eu vi um anjo poderoso ser enviado e milhares de filhos lembrarem os ensinamentos da infância e voltarem justamente antes que se feche a porta da graça." (Ellen G. White, Review and Herald, 1902).



Terminado o Juízo, fechada a graça e toda oportunidade de salvação, começam a cair os flagelos, representados por 7 trombetas, que são os seus eventos e 7 pragas, as suas consequências, sobre o mundo condenado. Esses acontecimentos são os mesmos, e devem durar por 5 longos meses ou 150 dias, os mais terríveis que o mundo viveu, desde a Criação.

Por Lindolfo Dias

Análise Interpretação Histórica X Interpretação Sequencial 

 

SATANÁS PERSONIFICARÁ A VOLTA DE JESUS?




As Últimas Mentiras de Ha-Satã


Você que é Cristão sabe disso? Estude a Bíblia e saiba como será a volta de Jesus para você não seja enganado!

 “Um poder de baixo está operando para desenvolver as últimas grandes cenas do drama – Satanás apresentando-se como Cristo e operando com todo o engano da injustiça.” – Evangelismo, p. 623. Ela declara que, até o fechamento da porta da graça, o diabo operará com sinais e prodígios cada vez maiores, sem, contudo, dizer que ele se valerá dessa contrafação. “Somos advertidos de que, nos últimos dias, ele operará com sinais e prodígios de mentira. E continuará com essas maravilhas até o fechamento da porta da graça, para que possa apontá-lo como evidência de que ele é um anjo de luz e não das trevas.” – Seventh-day Adventist Bible Commentary, vol. 7, p. 911.

À medida que o segundo aparecimento de nosso Senhor Jesus Cristo se aproxima, as agências satânicas são movidas de baixo. Satanás não somente aparecerá como ser humano, mas personificará a Jesus Cristo; e o mundo que tem rejeitado a verdade recebê-lo-á como o Senhor dos senhores e Rei dos reis… Ele operará de forma tão mais sutil quanto mais nos aproximamos do fim da História da Terra (Idem, vol. 5, p. 1.105 e 1.106).

“Vindo como um anjo de luz, reivindicando ser o Cristo, ele enganará o mundo. Mas seu triunfo será de curta duração.” – Idem, vol. 7, p. 1.106. Além disso, a afirmação de que o mundo “tem rejeitado a verdade” coincide mais efetivamente com o tempo em que a graça não mais operará, tempo em que o mundo já terá tomado sua decisão definitiva de rejeição à verdade, estando assim pronto para ser iludido. “De tal forma ele aparecerá nos últimos dias, que levará os homens a crerem ser ele Cristo em Sua segunda vinda ao mundo”. Ele, de fato, transformar-se-á num anjo de luz. Mas conquanto mantenha, tanto quanto possível, a aparência de Cristo em cada particular, não será enganada senão aqueles que, a exemplo de Faraó, procuram resistir à verdade (Testimonies for the Church, vol. 5, p. 698).

É do livro O Grande Conflito (p. 613), todavia, que melhor se infere que a personificação de Jesus Cristo por Satanás acontecerá após o fechamento da porta da graça. Alusão a isso é feita no capítulo 39, “Aproxima-se o Tempo de Angústia”, em cuja abertura é dito que “quando se encerrar a mensagem do terceiro anjo, a misericórdia não mais pleiteará em favor dos culpados habitantes da Terra”. Logo em seguida, a autora descreve os eventos desse tempo. Em outras palavras, ela trata aqui exclusivamente do tempo em que a graça não mais estará operando em favor dos perdidos. Ela se refere à personificação satânica antes de mencionar o derramamento das sete últimas pragas, mas após descrever o estado de coisas na Terra sem a misericordiosa moderação divina ao domínio do maligno. Satanás mergulhará “os habitantes da Terra em uma grande angústia final”. (p. 614). Coisas horríveis ocorrerão,  bem mais trágicas que aquelas de nossos dias, acarretando problemas para os quais a humanidade desesperadamente procurará solução. Esta será sugerida por influência diabólica. Os fiéis de Deus serão responsabilizados pelas misérias que estarão na ordem do dia e a solução será forçá-los a mudar de atitude, ou então, eliminá-los.

Os que honram a Lei de Deus serão considerados como a causa das terríveis convulsões da natureza, da contenda e carnificina entre os homens, coisas que estão enchendo a Terra de pavor. Como o sábado se tornou o ponto especial de controvérsia por toda a cristandade, e as autoridades religiosas e seculares se combinaram para impor a observância do domingo, a recusa persistente de uma pequena minoria em ceder à exigência popular, fará com que esta minoria seja objeto de execração universal. Insistir-se-á em que os poucos que permanecem em oposição a uma instituição da igreja e lei do Estado, não devem ser tolerados; que é melhor que eles sofram do que nações inteiras sejam lançadas em confusão e ilegalidade (Idem, p. 614 e 615).

É nesse contexto que o diabo aparecerá na figura de Jesus.
Terríveis cenas de caráter sobrenatural logo se manifestarão nos céus, como indício do poder dos demônios, operadores de prodígios. Os espíritos diabólicos sairão aos reis da Terra e ao mundo inteiro, para segurá-los no engano e forçá-los a se unirem a Satanás em sua última luta contra o governo do Céu… Como ato culminante no grande drama do engano, o próprio Satanás personificará a Cristo… O grande enganador fará parecer que Cristo veio (Idem, p. 624).

Por que o diabo enganará o mundo transfigurando-se na pessoa de Jesus, se de qualquer maneira o mundo já é seu, já estará perdido? De fato, não é com o mundo que o inimigo estará preocupado, e sim com os escolhidos de Deus. “É desígnio de Satanás fazer com que eles sejam exterminados da Terra, a fim de que não seja contestada sua supremacia no mundo” (Testemunhos Para Ministros, p. 37).

" E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz." II Coríntios 11:14









Arena do Futuro - A volta de Jesus (parte 1) 

Arena do Futuro - A volta de Jesus (parte 2) 

Pr Samuel Ramos - A Sétima Trombeta

 

 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

QUEM SÃO OS 144.000?


E olhei, e eis que estava o Cordeiro sobre o monte Sião, e com ele cento e quarenta e quatro mil, que em suas testas tinham escrito o nome de seu Pai.
E ouvi uma voz do céu, como a voz de muitas águas, e como a voz de um grande trovão; e ouvi uma voz de harpistas, que tocavam com as suas harpas.
E cantavam um como cântico novo diante do trono, e diante dos quatro animais e dos anciãos; e ninguém podia aprender aquele cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra.
Estes são os que não estão contaminados com mulheres; porque são virgens. Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vá. Estes são os que dentre os homens foram comprados como primícias para Deus e para o Cordeiro.
E na sua boca não se achou engano; porque são irrepreensíveis diante do trono de Deus. (Apocalipse 14:1-5)



O capítulo 14 de Apocalipse só pode ser entendido corretamente se for estudado dentro do contexto de Apocalipse 13, o ressurgimento da supremacia papal e a imposição do sinal da besta, o decreto dominical. Apocalipse 13 e 14 apresentam dois poderes rivais, tendo cada um sua marca de autoridade, a saber:
• o poder satânico revelado através da besta que subiu do mar e da besta que subiu da terra;
• o poder de Deus revelado nos Seus mensageiros, os 144.000, que, batizados pelo poder do Espírito Santo, proclamarão mundialmente o Evangelho Eterno, a chocante Tríplice Mensagem Angélica. O capítulo 14 é a resposta divina para as bestas do capítulo 13. Fala da vitória de Deus e Seus escolhidos.
O teste final tem a ver com o selamento do caráter de cada ser humano. Jesus e Satanás desejam possuir domínio absoluto da mente humana. A reivindicação de Jesus tem como base Sua soberania como Criador e Redentor da humanidade, mas o argumento único de Satanás é o de que a humanidade se submeteu a ele ao adorar a besta e receber a sua marca.

SINAIS VERSUS VERDADE

“No Novo Testamento, os sinais e milagres são com frequência citados como evidências do poder de Jesus e Seus apóstolos (João 20:30-31; Atos 2:22; Heb. 2:4), porém no Apocalipse os sinais são realizados por forças demoníacas (Apoc. 13:13-14; 16:14;19:20). Estes sinais são realizados como evidências coercivas para levar o mundo a obedecer à besta. A menção do 'falso profeta' realizando sinais e maravilhas é feita somente como uma referência à advertência feita por Jesus no 'pequeno apocalipse' (Mateus 24): 'porque surgirão falsos cristos e falsos profetas e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos' (Mat. 24:24). Paulo também adverte contra o enganador poder do anticristo: 'a esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira. E com todo o engano da injustiça para os que perecem.' (II Tess. 2:9-10). A natureza dos sinais é sugerida na descrição feita especificamente em Apoc. 13:13 'e faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens.'”¹ (1Beatrice S. Neall, The Concept of Character in the Apocalipse with Implicantions for Character Education,157-158.)
“A arma final de Deus na batalha pelo domínio da mente humana não são sinais e maravilhas, mas a verdade. Deus envia não três espíritos imundos operadores de sinais (Apoc. 16:13-14), mas três poderosos anjos proclamando o evangelho eterno (Apoc. 14:6-12). A mensagem dos três anjos é um poderoso apelo para adorar o Criador (Apoc. 14:7) em vez da besta (Apoc.14:9-11), para guardar os Seus mandamentos (Apoc. 14:12;conforme Apoc. 12:17),e para ter fé em Jesus (Apoc. 14:12). O teste da verdade não são os milagres, mas 'a Palavra de Deus e o testemunho de Jesus' proclamados pela grande multidão que obteve vitória sobre a besta e a sua imagem (Apoc. 20:4; conforme Apoc. 12:11,17; conforme Apoc. 1:9;6:9).”² (Ibidem, 158)
“Os poderes da besta compelem a adoração através de um boicote econômico sobre todos os que recusam a sua marca (Apoc. 13:17). Como um poder mundial, a besta tem controle de todas as fases da vida política, econômica, e religiosa. Todos os que se recusam a homenageá-la, serão proibidos de comprar ou vender, e serão expostos publicamente de forma que eles poderão ser apontados para o decreto de morte (Apoc. 13:15).”³ (Ibidem, 159)
“O terceiro anjo de Apocalipse 14 pronuncia uma sentença muito mais terrível para aqueles que realmente adorarem a besta e a sua imagem e receberem sua marca. Eles beberão do vinho da ira de Deus sem mistura (Apoc. 14:9-10), as sete pragas derramadas sobre os adoradores da besta, produzirão a mais terrível chaga jamais vista na humanidade (Apoc. 16). E estas chagas são somente uma amostra do tormento final no lago de fogo (Apoc. 14:10-11).¹ (1Ibidem.)
O capítulo 14 está dividido em três partes:
•Apoc. 14:1-5 apresenta um grupo especial, um grupo de oposição, uma força de oposição à besta e a sua imagem, os 144.000, que conforme Apoc.7:2-4 serão os primeiros a serem selados pelo Selo do Deus Vivo;
•Apoc. 14:6-13 revela o conteúdo da mensagem que será proclamada por esse grupo de oposição à besta, as Três Mensagens Angélicas, com ênfase especial no Juízo pré-advento. Esta é a Festa da Expiação do Santuário Celestial que iniciou no dia 22 de outubro de 1844;
•Apoc. 14:14-20 fala da última e a mais feliz de todas as festas do Santuário, a Festa da Colheita, ou dos Tabernáculos.
Que contraste! Apocalipse 13 termina falando da imposição do sinal da besta na testa ou na mão dos inimigos do povo de Deus, e logo em seguida João contempla outra cena, uma cena gloriosa! Os 144.000 sobre o Monte Sião vitorioso sobre a besta e a sua imagem e tendo nas suas testas o nome do Deus Pai e do Cordeiro. Primeiramente João os viu passando pelas mais severas provas, sendo boicotados e condenados, mas nessa hora escura eles serão honrados pelo Pai e pelo Filho através do selamento e a Chuva Serôdia do Espírito Santo.
 
O QUE DEUS REVELOU SOBRE OS 144.000? APOC. 14:1- 5

O selamento dos 144.000 (Apoc. 7:2-4) é um tema central no Apocalipse. Eles devem revelar Jesus ao mundo justo antes e logo após o fechamento da porta da graça sendo a expressão e a vindicação do caráter de Deus (Ezeq. 39:27). Eles têm o nome de Jesus e do Pai escritos na testa, significando a restauração e fixação do caráter de Jesus neles. Ellen G. White diz: “João viu um Cordeiro sobre o Monte de Sião, e com Ele os 144.000 tendo o nome do Seu Pai escrito nas suas testas”. Eles têm o sinête do céu. Eles refletem a imagem de Deus. Eles foram cheios da luz e da glória Daquele que é Santo.”¹ (1Ellen G. White, Seventh-day Adventist Bible Commentary, vol. 7, 978.)
Em 1901, Ellen G. White escreveu sobre os 144.000 dizendo: “Não é vontade de Deus que eles (Seu povo) entrem em controvérsia sobre questões que em nada os ajudarão espiritualmente, tais como,' Quem fará parte dos 144.000'. Sem dúvida, aqueles que são os eleitos de Deus saberão muito em breve quem são eles.”² (Ibidem)
Seria bastante cômodo hoje simplesmente repetir o que a mensageira do Senhor falou em 1901 e cruzarmos os braços achando que depois de mais de 100 anos ainda não houve progresso nenhum na compreensão dos 144.000. Não é intenção divina nos informar acerca dos nomes que farão parte deste grupo especial, mas também não podemos fechar os olhos ao que a Bíblia e o Espírito de Profecia nos ensinam sobre eles. A posição mais prudente e cristã é ficarmos com o “assim diz o Senhor” deixando que a Bíblia seja a intérprete de si mesma.
T. H. Jemison escreveu: “Precisamos pregar sobre o assunto dos 144.000. O tema tem de receber lugar de muito destaque em nosso pensamento e em nossas palestras. É necessário que penetremos o campo da controvérsia que tem levado muitos a quando muito fazer ocasional menção deste grupo.”¹ (1T. H. Jemison, Our Firm Foundantion, vol. 2, 407. )
Os 144.000 são primeiramente introduzidos em Apocalipse 7 em resposta à pergunta do Sexto Selo em Apocalipse 6:17 “Porque é vindo o grande dia da Sua ira; e quem poderá subsistir?” Devemos ter em mente que o Sexto Selo começa em Apocalipse 6:12 e se estende até Apocalipse 7:17. O contexto do Sexto Selo é o Julgamento dos Vivos ² (2 A fim de entender melhor o Sexto Selo e o Juízo dos Vivos por favor leia os comentários de Apoc. 6:12-17) a segunda fase do Juízo Investigativo, justo antes da abertura do Sétimo Selo (Apoc. 8:1-5), que revela o momento do fechamento da porta da graça.³( 3 Sobre o Sétimo Selo e o Fechamento da Porta da Graça ler os comentários de Apoc. 8:1-5.)
Na Lição da Escola Sabatina do 3º trimestre de 1989 lemos: “O capítulo 7:1-8 responde à pergunta do capítulo 6, verso 17. A resposta é que, pela graça de Deus, os 144.000 conseguirão subsistir.”¹( Carl Coffman, Lição da Escola Sabatina, 2 parte, 3º trimestre, 1989, 58.)
Apocalipse 7:1-8 aponta para os 144.000 dizendo que eles subsistirão porque foram selados pelo Selo do Deus Vivo. “Eles têm o sinete do céu. Eles refletem a imagem de Deus. Eles foram cheios da luz e da glória Daquele que é Santo.”² (Ellen G. White, Seventh-day Adventist Bible Commentary,vol. 7, 978.)
Apocalipse 7:9-17, logo em seguida mostra para João outra cena grandiosa, a de “uma multidão a qual ninguém podia contar, de todas as nações... vestidos de vestidos brancos... que vieram da grande tribulação” (Apoc. 7:9,13, 14).Estes também subsistirão diante de Deus e do Cordeiro.


TRÊS TEORIAS SOBRE OS 144.000


•Serão salvos só 144.000 pela pregação das Três Mensagens Angélicas desde 1844 até a volta de Jesus, incluindo os que morreram fiéis na mensagem do terceiro anjo;
•Os 144.000 são o total de salvos entre os vivos por ocasião da volta de Jesus. Eles são os únicos salvos que permanecerão vivos sem passarem pela morte. Os demais justos morrerão antes das sete pragas para serem ressuscitados na volta de Jesus;
•Os 144.000 são um grupo especial selecionado dentre os salvos vivos, mas não serão os únicos salvos a permanecerem vivos até a volta de Jesus. Os 144.000, por ser um grupo pequeno, são representantes de todos os salvos vivos. As três teorias existem há muitos anos e foram expostas e defendidas por alguns dos pioneiros da Igreja Adventista do Sétimo Dia.
•Uriah Smith expos a primeira teoria; ¹ (1Folheto da Reforma: “A Obra do Assinalamento”, Coleção Laodicéia, número 5, páginas 7-8.)
•George Butler, presidente da Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia expos a segunda teoria;² (2 Review & Herald, 26 de Fevereiro de 1889, 137)
•Arthur Daniells, presidente da Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia escolhido por Deus,³ (Ellen G. White, Notas e Manuscritos, vol. 1, 111-112) expos a terceira teoria.( Folheto da Reforma: Coleção Laodicéia, número 5, página 5)
O que vem comprovar essa divergência de teorias? Estas teorias defendidas por alguns dirigentes e pioneiros e publicadas em literatura oficial da igreja comprovam que:
• A igreja não tinha e não tem este assunto como doutrina ou ponto de salvação;
• Que a igreja nunca adotou oficialmente um ponto de vista sobre o assunto;
• Comprova ainda que é falsa a acusação dos Reformistas de que os Adventistas do Sétimo Dia abandonaram o primeiro ensino dos pioneiros sobre o assunto.

COMPROVAÇÃO DA VERACIDADE DE UMA TEORIA

• A aceitação de uma teoria por anos, não é prova de que seja verdadeira. Se admitirmos que a teoria de Urias Smith era a mais difundida e a mais aceita, isso comprova que ela é verdadeira? O que diz Ellen G. White sobre certos ensinos aceitos por anos?
“Temem alguns que se reconhecerem estar em erro, ainda que seja num simples ponto, outros espíritos serão levados a duvidar de toda a teoria da verdade. Têm, portanto achado que não se deve permitir a investigação; que ela tenderia para a dissensão e a desunião. Mas se tal é o resultado da investigação, quanto mais depressa vier, melhor. Se há aqueles cuja fé na Palavra de Deus não suportará a prova de uma investigação das Escrituras, quanto mais depressa forem revelados melhor; pois então estará aberto o caminho para lhes mostrar seu erro. Não podemos manter a opinião de que uma posição uma vez assumida, uma vez advogada a ideia, não deve, sob qualquer circunstância ser abandonada. Há apenas Um que é infalível: Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida.”¹( 1Ellen G. White, Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, 105.)


QUAL É A PROVA PARA A CONFIRMAÇÃO DE CADA TEORIA?

“A palavra de Deus precisa ser reconhecida como estando acima de toda a legislação humana. Um 'assim diz o Senhor', não deve ser posto à margem por um 'assim diz a igreja', ou um 'assim diz o Estado'.² (2  Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, 69) “Todos os pontos de doutrina, ainda que tenham sido aceitos como verdades, têm de ser provados pela lei e pelo testemunho; se não resistirem a essa prova,' nunca verão a alva'.”³ (3Ellen G. White, Testemunhos Seletos, vol. 2, 219)

O EXAME DA PRIMEIRA TEORIA

Consideremos a doutrina “só os 144.000 salvos desde 1844 até a volta de Jesus, incluindo os justos mortos a partir de 1844”. Esta é a teoria crida e defendida pelos Reformistas. ¹ ( ¹ Os Reformistas surgiram em 1914 como um grupo dissidente da Igreja Adventista do Sétimo Dia, e atualmente (2004) possuem um pouco mais de 30.000 membros em todo o mundo.)
Essa teoria é antibíblica, pois o plano da salvação é claramente exposto em Apoc. 14:6 como sendo o evangelho eterno a ser proclamado a todas as nações e tribos. Em Apocalipse 22:17 lemos “E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida.” No Evangelho de João 3:16 lemos “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho Unigênito para que todo aquele que Nele crer não pereça mas tenha a vida eterna.”
Deus, em tempo algum, limitou o número dos salvos.² (² Os Reformistas creem que as almas sinceras que morrem sem conhecer a terceira mensagem angélica estão salvas. Para a salvação dessas almas não há limite de número, mas para aqueles que conheceram as mensagens angélicas o número fica limitado em 144.000. Se formos levar isso em conta então seria melhor não pregar a terceira mensagem angélica ao mundo pois isto estaria limitando o número dos salvos. Também para os que pregam a terceira mensagem angélica não seria vantagem pois estariam ganhando concorrentes para disputar uma vaga) Ellen G. White falando sobre o número de almas sinceras que estão ainda nas igrejas caídas, mas que se unirão aos que guardam os mandamentos de Deus, declara:
“A mensagem de Apocalipse 14, anunciando a queda de Babilônia, deve aplicar-se às organizações religiosas que se corromperam. Visto que esta mensagem se segue à advertência acerca do juízo, deve ser proclamada nos últimos dias; portanto, não se refere apenas à Igreja de Roma, pois que esta igreja tem estado em condição decaída há muitos séculos. Demais, no capítulo dezoito do Apocalipse, o povo de Deus é convidado a sair de Babilônia. De acordo com esta passagem, muitos do povo de Deus ainda devem estar em Babilônia. E em que corporações religiosas se encontrarão hoje a maior parte dos seguidores de Cristo? Sem dúvida, nas várias igrejas que professam a fé protestante.”³ (³ Ellen G. White, O Grande Conflito, 383)
“Apesar das trevas espirituais e afastamento de Deus prevalecente nas igrejas que constitui Babilônia, a grande massa dos seguidores verdadeiros de Cristo encontra-se ainda em sua comunhão.”¹( ¹ Ibidem., 390.) Esses textos comprovam que a proclamação do evangelho não terminará com menos poder do que quando iniciou, e portanto, o número de salvos será milhares de vezes superior ao que vimos no dia do Pentecostes.

EXAME DA SEGUNDA TEORIA

Só 144.000 salvos vivos na volta de Jesus, sendo que os demais deverão morrer antes das sete pragas para serem então ressuscitados na volta de Jesus.Nas considerações feitas no exame da primeira teoria já destacamos a grande multidão de salvos da hora undécima, e também que a grande maioria dos salvos ainda se encontra nas igrejas decaídas, mas que de lá sairão quando ouvirem o chamado divino
“Sai dela povo Meu” (Apoc. 18:4). Sendo assim, o número de salvos vivos tende a aumentar assustadoramente a medida que nos aproximamos mais e mais do fechamento da porta da graça. Quando analisamos a razão porque Deus permitiu que muitos cristãos morressem como mártir descobriu que o sangue deles era como semente que resultava na conversão de dezenas de pessoas. Sendo assim, a morte de um mártir não diminui o número dos salvos vivos, pelo contrário, aumenta-o. É isto que Ellen G.White explica quando diz que após o fechamento da porta da graça Deus não permitirá que nenhum dos Seus filhos seja morto.
 “Se o sangue das fiéis testemunhas de Cristo fosse derramado nessa ocasião, não seria como o sangue dos mártires, qual semente lançada a fim de produzir uma messe para Deus... Se os justos fossem agora abandonados para caírem como presa” de seus inimigos, seria um triunfo para o príncipe das trevas. ”¹ (Ibidem., 634) Essa segunda teoria também é inconsistente e não tem apoio bíblico e nem do Espírito de Profecia.

EXAME DA TERCEIRA TEORIA

Consideremos agora a teoria de que os 144.000 são um grupo especial, selecionado e escolhido dentre os salvos vivos como representantes da grande multidão de salvos vivos que não passarão pela morte até a volta de Jesus.
•Apoc. 7:4-8 revela que Deus escolhe 12.000 de cada tribo de Israel, esse Israel deve ser entendido como sendo espiritual, considerando que o Israel literal deixou de ser o povo escolhido de Deus em 34 D.C., no final das 70 semanas separadas para Israel (Daniel 9:24-27). O número 12.000 de cada tribo deixa-nos a ideia de “escolha”; uma parte menor sendo escolhida de uma parte maior;
•Apoc. 14:4 descreve os 144.000 dizendo: “Estes são os que dentre os homens foram comprados como primícias para Deus e para o Cordeiro.” Aqui novamente a ideia é exatamente a mesma, “primícias” uma parte menor sendo escolhida de uma parte maior.

O QUE A BÍBLIA ENSINA SOBRE AS PRIMÍCIAS?

“As primícias de toda seara, fosse de grãos, ou vinha, azeite, mel, frutos, ou animais e mesmo dos homens (neste caso o primogênito, Neemias 10:35-37) eram consagrados a Deus.


QUAL ERA O SIGNIFICADO DAS PRIMÍCIAS?

•As primícias eram especiais: frescas (Lev.2:14; escolhidas (Ezeq. 20:40); era o melhor de tudo (Núm.18:12). Assim também os 144.000 são escolhidos, são de primeira qualidade espiritual, e sem mácula (Apoc. 14:5);
•As primícias são a promessa de uma colheita ainda maior a ser feita no futuro, de celeiros transbordando (Prov. 3:9-10). Nos escritos de Paulo as primícias do Espírito (Rom.8:23) eram um penhor (Efes.1:13-14) ou promessa de algo muito maior por vir.
Assim os 144.000 são o começo ou a amostra de uma colheita ainda muito maior, a hoste de redimidos de todas as eras mencionada em Mateus 13:38-43;
•As primícias, pela virtude de serem consagradas a Deus, eram santas (Núm. 18:17); os 144.000,sendo 12.000 de cada tribo (Apoc. 7:4-8), são as primícias da grande seara 'de todas as nações, e tribos e povos, e línguas' (Apoc. 7:9);
•A consagração das primícias a Deus tornou santa toda a seara (Rom. 11:16); este era um sinal de que o todo pertencia a Ele;
•As primícias eram trazidas à casa de Deus (Êxo. 34:26) para serem utilizadas no Seu serviço (Núm. 18:12-13). Assim os 144.000 'estão diante do trono de Deus, e O servem de dia e de noite no Seu templo'(Apoc. 7:15). Eles desfrutam uma intimidade especial com Deus; eles 'seguem o Cordeiro para onde quer que vai' (Apoc. 14:4).”¹ (1Beatrice S. Neall, The Concept of Character in the Apocalipse with Implications for Character Education, 162)
Em Êxodo 23:19 lemos:
“As primícias dos primeiros frutos da tua terra trarás à casa do Senhor teu Deus.” E em Números 18:12-13 lemos: “Todo o melhor do azeite, e todo o melhor do mosto e do grão, as suas primícias que derem ao Senhor as tenho dado a ti. Os primeiros frutos de tudo que houver na terra, que trouxerem ao Senhor, serão teus.”

No contexto bíblico as primícias eram exatamente uma parte menor extraída de uma parte maior para fins santos, e era sempre o melhor de tudo. O melhor da seara era escolhido e entregue ao Senhor como primícias da grande seara. As primícias eram consagradas ao Senhor como representantes da seara.
Não é difícil entendermos o que a profecia quer dizer quando fala em Apoc. 7 que os 144.000 são uma pequena porção extraída de uma porção maior, pois em Apoc. 14:4 a profecia explica que eles são primícias da grande seara de salvos. Não podem existir primícias sem seara pois quando a profecia diz que os 144.000 são primícias dos salvos, está dizendo que existe uma grande seara de salvos.